
É evidente que o que este homem fez pelo cinema em Portugal é incontornável, sendo difícil mencioná-lo sem referir a Cinemateca Portuguesa. É óbvio que, das centenas de folhas Cinemateca (aquelas páginas que escritas para cada filme exibido) que possuo, são as da sua autoria que mais me fascinam. Mas não é justo que SÓ se fale disso, como tenho reparado em quase todos jornais e blogues. Porque ele foi efectivamente uma figura transversal na nossa história (na história europeia), sábio conhecedor do mundo, elegante cronista. Admirador de Mahler e Mozart, Proust e Ruy Belo, da pintura renascentista e também da flamenga, estamos a falar, acima de tudo, de uma afável pessoa.
E estão aí os meus receios: que a morte deste HOMEM EXEMPLAR seja sentida apenas como 'uma grande perda na cultura portuguesa', que 'deixa a Cinemateca em risco'. Nada disso!, digo eu. O impacto de Bénard da Costa na cultura, nas artes, no cinema, foi tão potente como poucos se poderão um dia 'gabar'; mas esse é um facto consumado, e há já muito tempo. Ele já tinha um legado antes de falecer. A sua marca já há muito que está feita. Ou seja, a morte que eu choro hoje, é a desse 'HOMEM EXEMPLAR', dessa pessoa afável, ainda que exigente e rigorosa. A morte de uma pessoa, não de uma 'entidade', como transparece em muitas dessas impessoais colunas.
Rest In Peace, my sweet sweet man.
1 comentários:
Peço desculpa pela trapalhada de fontes, espaçamento e que sei eu ainda, no corpo deste texto. É, mais uma vez, um daqueles cyber-mistérios que fazem parecer que os computadores são bichos caprichosos, e cada vez mais me trazem assustadoramente à memória o 2001: A SPACE ODYSSEY...
G.J.
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